Recomeçar ou Continuar
A importância do Seguro na Sociedade Moderna.
Por Paulo André C. Minhoto

Hoje, deixar de produzir, ou consumir capital na recuperação da máquina produtiva é o que há de pior para a sociedade. Investimentos no mercado financeiro, ao contrário do passado, não são mais uma alternativa tão rentável como a produção.

Entretanto, esta situação, este descompasso, pode ser evitado pelo melhor e o mais perfeito mecanismo de defesa social, produtiva e econômica da sociedade. O seguro.

Afirmo que o seguro é o melhor dispositivo de recuperação do alicerce da sociedade. Olhemos para os grandes países, em todos eles o seguro tem participação substancial no PIB.

Um ponto a ser observado é que, até para os menos favorecidos, naqueles países, fazer seguro é essencial.

O seguro tem por característica equilibrar uma sociedade efetivamente ativa, transferindo o risco de prejuízo a alguém que tem por objeto de seu negócio exatamente esse risco.

Apenas como exercício de ilustração, façamos um paralelo do que significa esse risco a uma fábrica e o quanto vale a uma seguradora em termos práticos.

Concluir-se-á que, para a empresa, o seguro é um investimento, é a garantia da continuidade e não a incerteza do recomeço, já, para a seguradora, seu “Core Business”.

Em uma análise superficial, a empresa que destina uma fração de sua receita ao pagamento do prêmio de um seguro está investindo, em caso de sinistro, na reconstrução de sua unidade, nos estoques, no lucro cessante, na folha de pagamento e no contratos com seus clientes.

Mas, além destes irrefutáveis argumentos, está investindo na certeza da continuidade, e não na incerteza do recomeço. Com o seguro, na pior das hipóteses, voltar-se-á há alguns passos de onde parou com o sinistro.

O Seguro é, dentro do panorama socioeconômico atual, o mais perfeito elemento de defesa desta sociedade calcada na produção, e sua importância não se resume, só, no efeito deste contrato, conforme ilustrado.

Atualmente a indústria do seguro no Brasil emprega diretamente mais de 500 mil pessoas, e, indiretamente, mais de 1.500.000 pessoas.

Milhões são arrecadados aos cofres públicos com o recolhimento do I.O.F. (Imposto sobre Operações Financeiras, Cambiais e de Seguros), onde a aliquota pode chegar a 2,38% sobre o prêmio. O mesmo projeta-se em IR, FGTS, COFINS e ISS.

Observemos apenas pela óptica do seguro de auto: são corretores, oficinas, guinchos, lojas e fabricas de auto-peças e tintas, funcionários para a recuperação, administrativos e etc.

Só neste exemplo há de se enxergar o quão este segmento é responsável por abastecer essa parte a máquina produtiva.

Por outro lado, não menos importante, até mais, são os R$ 19.336 bilhões pagos em indenizações no ano de 2008.

A grandeza desse número é fundamental à sociedade, pois significa a força de recuperação e a diminuição dos prejuízos, possibilitando caminhar no sentido da continuidade e da evolução. É a escolha entre a Evolução ou a Retroação.

Suntuosos exemplos de continuidade e evolução, respaldada pela instituição do seguro construíram parte da história da gigante mundial, a Lloyds. Ela foi a grande responsável pelas diversas reconstruções de Londres, com indenizações milionárias, e sabe-se que não foram poucas.

A mesma respondeu, também, por mais de 52% das indenizações do terremoto de São Francisco, em 1906.

Pura evolução.

Seria sensato e coerente que o governo passasse a educar a população demonstrando a importância do seguro.

Neste sentido, haveria um aquecimento da cadeia produtiva como um todo, uma vez que a reposição ou a recuperação do bem seria possível, e as indenizações seriam uma forma de abastecer o mercado com capital saudável.

A modificação das leis penais, contra àqueles que lesam o seguro, seria, posteriormente, uma decisão sensata.

O legislativo precisa entender que, quem frauda o seguro não prejudica só a Cia., e sim todo o universo de segurados (consumidores) que, onerarão, no ano seguinte, pelo aumento no custo de seus seguros. É um contrato de mútuo.

As fraudes representam, aproximadamente, 20% do valor do prêmio pago. Sendo assim, com uma efetiva redução nas fraudes, teríamos um aumento na produção direta e efetiva e pronunciada queda no custo do seguro.

Outro aspecto que deve ser profundamente considerado é a evolução do judiciário com a criação de varas especializadas. Desenvolver neste poder uma estrutura de profissionais “experts” em seguros.

Trazer à luz o conhecimento deste precioso dispositivo resultaria no fim das recorrentes sentenças “Robin-Hoodianas” que se esgueiram entre disposições legais ou se acobertam pela sombra de uma pseudo-analogia que muitas vezes resulta em decisões tendenciosamente contra as seguradoras.

Além da evolução, seria uma conseqüência natural o aumento dos investimentos no setor, já que este ineditismo garantiria uma estrutura e uma segurança jurídica exemplar em termos mundiais.

O Brasil seria inovador e realmente democrático.

Outro aspecto que não pode ser desconsiderado, entretanto é pouco difundido, é o trabalho social desenvolvido pelas seguradoras.

Algumas, tradicionalmente, investem em estudos, desenvolvimento e implementação de equipamentos e dispositivos anti-fraude e de segurança, como nos casos, respectivamente, da espanhola Mapfre e da Porto Seguro.

Altos investimentos foram feitos com a Cesvi – Centro de Experimentação Viária, promovendo um salto em desenvolvimento, adequação e treinamento de profissionais da área de reparação automotiva, bem como, certificação de produtos e serviços voltados ao mercado automotivo, além imprescindível avaliação de segurança dos veículos, retornando às montadoras laudos de deformação, indicando, inclusive, detalhadamente o risco dos ocupantes.

Já a Porto Seguro, há alguns anos, lançou no Brasil a 3ª luz de freio, o popular “Breake-Light”. Atualmente item obrigatório e de reconhecimento internacional, dispensando maiores comentários.

Mas não é só de investimentos em produtos, procedimentos e dispositivos ligados ao próprio objeto do seguro que as companhias têm investido.

Empresas como a CAPEMISA investem pesado em um trabalho social junto a menores. E estes são alguns exemplos.

Existe a máxima que diz “contra fatos não há argumentos”, e, no caso do seguro, todos os fatos corroboram com os argumentos e vice-versa, mostrando que diferença entre segurar ou não é a opção em recomeçar e retroceder ou continuar e evoluir um país.

Um país evoluído é um país que faz seguro.